“Pode parecer clichê, ridículo e idiota, mas eu deixei tudo por você e você me deixou aqui. Na verdade, parecer mesmo, apenas pareceu ser clichê, porque ridículo e idiota realmente foi. Mudei meu horário de acordar porque você não gostava do despertador tocando quinze minutos antes, porque você nunca simpatizou com a função soneca. Parei de tomar café porque você gostava de comer no meio da manhã, não no início. Lanchinho da manhã, hoje fico pensando o quão ridícula e estranha soa essa maldita palavra que eu ouvia todos os dias. Deixei de usar shorts, saias e roupas mais coladas porque você não gostava que outros homens prestassem atenção em mim, o que, para ser bem sincera, nunca entendi o por quê, já que nem você prestava mesmo. Minhas comidas favoritas, deixei de comer. Comecei a gostar de tudo o que você gosta só para te agradar. Meu perfume preferido, aquele cheiro que todo mundo sabia que era meu, troquei. Troquei porque você queria que eu usasse a colônia doce que ganhei de presente. Eu sempre odiei perfumes doces, com todas as minhas forças, eu não suportava cheiros adocicados. Parei de comer meu brigadeiro nos finais de semana porque você não me queria gordinha. Mudei meus horários de aula porque de noite eu precisava estar à tua disposição. Outra coisa que nunca fez muito sentido. De sete noites na semana, apenas três das tuas eram passadas comigo. Mas eu gostava, e eu ficava esperando as terças, quartas e sábados porque eram as minhas. Na minha ingenuidade de boba apaixonada, acreditava que você ficava até mais tarde no trabalho por causa de um compromisso extra. “Hoje eu tenho reunião até mais tarde” - tenho até nojo de repetir essas palavras. Tenho nojo de você. De tudo o que eu fiz e deixei de fazer por tua causa. De todas as coisas que eu abri mão porque você não gostava, de tudo o que eu aprendi a fazer ou gostar, só para acreditar na tua falsa felicidade. De mim? De mim tenho raiva por não perceber, desde o princípio, que aquele “oi linda, posso te pagar uma bebida?” era mais um era uma vez que não acabava com e eles viveram felizes para sempre. 
— Eu deixei tudo por você e você me deixou aqui, Olivia Dias
- Oi, meu nome é Eduardo - tenho certeza que minhas bochechas ficaram mais vermelhas que o cabelo cor de céu de outono no pôr-do-sol dela.
- Oi, meu nome é Brenda - e ela sorriu. Mas dessa vez, não apenas com os olhos. Eu não sabia nada sobre as mulheres, mas achei isso um bom sinal.
Quando ela começou a juntar os lábios para pronunciar meu, logo depois do oi, meu coração já tinha experimentado bater do jeito mais rápido possível, voltar para o lento, parar e acelerar novamente. Isso não aconteceu nem na sétima série quando a menina que eu gostava me deu um beijo na bochecha durante o jogo de verdade ou consequência. E porra, tinha sido um beijo. E eu gostava dela. Hoje foi só um oi e eu nem sabia o que eu sentia por essa menina do cabelo cor de céu de outono no pôr-do-sol. Mas que eu sentia alguma coisa, isso eu já estava começando a aceitar, porque não era possível.
- Oi - repeti, sem saber o que falar, mas lembrando de respirar dessa vez.
- Achei que você nunca ia falar comigo - ela deu um sorrisinho tímido.
Sério? Sério que ela estava tirando com a minha cara? Já tinham feito isso antes. Se fosse qualquer outra mulher eu inventaria uma desculpinha, o orgulho falaria mais alto e eu encerraria a conversa ali mesmo. Mas com ela era diferente, eu ficava pensando em o que falar, em assuntos que ela fosse achar interessante (mas oi, eu nem sabia do que ela gostava). E o jeito que ela olhou pra mim e depois desviou o olhar, tímida, sei lá, deu um negócio aqui dentro.
- Eu também achei - falei, com cara de idiota.
Aí nós ficamos lá, em silêncio, apenas nos olhando, desviando olhares e dando sorrisinhos bobos, até chegar no ponto. Ela seguiu para a farmácia, eu esperei ela entrar e entrei no meu trabalho. Nem notei se a chefe havia reclamado dos minutos de atraso. Para falar a verdade, não prestei atenção em nada hoje, nadinha mesmo. A única coisa que passava pela minha cabeça era o quão idiota eu havia sido hoje pela manhã e por qual motivo ela havia sorrido para mim. Duas coisas que eu ainda ia descobrir. Duas coisas que eu precisava saber o motivo. A primeira porque isso não era normal, esse tipo de coisa não acontecia comigo, de ser idiota na frente de mulheres, eu sempre conseguia. A segunda porque sei lá, ela era incrível e, mulheres como ela não falavam com caras como eu. 
Terça, quarta e quinta foram assim. Essas conversinhas idiotas que, não sei para ela, mas para mim resultavam em horas pensando, insônias, sonhos, vontades… Até que quinta à noite tomei a decisão de chamá-la para sair na sexta. 
- Oi - comecei, já tudo completamente errado do que eu havia passado a noite toda e uma parte da manhã planejando.
- Como você está? - ela meiga como sempre.
- Bem - respondi e fiquei olhando para ela. Aqueles olhos me prendiam demais. E aquele cabelo cor de céu de outono no pôr-do-sol fazia com que ela, sentada do lado da janela na terceira fila no ônibus, ficasse mais perfeita ainda. Quando me dei conta que ela esperava um ‘e você?’, voltei para a realidade e perguntei - e você?
- Bem também - e novamente aquele sorriso. Porra. PORRA. Calma Eduardo, respira, vai.
- Vai fazer alguma coisa hoje à noite? - falei tão rápido que nem sei como ela entendeu.
- Não tenho nada programado, tem alguma coisa para me sugerir? - ainda bem que ela colaborou, porque tava difícil de continuar.
- Ahm… - aí eu lembrei que tinha planejado tudo, que iria a convidar para sair sexta à noite e tudo mais, imaginado os diálogos, mas tinha esquecido de pensar em ONDE levá-la. Boa Eduardo, muito boa.
- Tem um restaurante que abriu perto da minha casa, eu estava pensando em ir, se quiser me acompanhar, será bem vindo.
Além de ser incrível, linda, gostosa, perfeita e outros adjetivos que se eu fosse descrever, não acabaria nunca mais, ela sabia exatamente quando falar e o que falar. Por favor, casa comigo, Brenda. 
- Ah, claro. Ótimo, perfeito. Excelente - acho que eu exagerei, mas deve ter dado certo, porque ela riu quando eu abri a boca para falar ‘magnífico’.
- Combinado então, estarei lá às 19:00 p.m., Bistrô Varanda - ela falou assim que descemos do ônibus, antes de continuar seu caminho.
Fiquei o trabalho inteiro pensando em que roupa colocar mas não cheguei em conclusão nenhuma. Enfim, almocei, vi televisão, comi de novo, tomei banho, parei na frente do meu guarda roupa e tentei escolher algo para vestir. Peguei a calça jeans preta e a camisa cinza nova que eu havia ganhado semana passada. É, acho que fiquei bonito, ou menos feio, tanto fazia, acho que melhor não dava. Passei perfume e fui até o local combinado. Cheguei 18:57 p.m. e ela ainda não estava lá. Exatamente às 19:00 p.m., olhei para o lado esquerdo e a vi. Puta que pariu. O cabelo cor de céu de outono no pôr-do-sol ficava incrível até de noite, sem a luz do sol. E a silhueta dela estava perfeita, porque ela vinha na contra luz. Gostosa. Gostosa demais. 
- Estou atrasada? - mesmo se ela estivesse, qualquer garoto esqueceria alguns minutos de espera depois de vê-la.
Fiz não com a cabeça e entramos no restaurante. A comida era muito boa, mas a conversa com ela foi melhor ainda. Ela estava morando aqui há três meses, então tive que fazer a clássica proposta ‘se você quiser, te apresento a cidade’. Ela riu, mas não respondeu. Outra coisa que era típica dela, me deixar curioso, ser difícil, tímida e misteriosa. Mas eu gostava disso. Na verdade, eu gostava muito disso. 
- Quer continuar a conversa lá em casa? - perguntei, após pagar a conta, não pensando apenas em conversar. 
Ela hesitou, olhou para o relógio, olhou para mim com uma cara de ‘você não quer apenas conversar’, deu um sorrisinho e finalmente falou: - Acho que tudo bem.
Assim que cheguei na frente do prédio o porteiro me olhou com uma cara de safado. Qual é? Só porque eu não levava mulheres pra casa sempre? Qual foi? Acenei para ele, que logo em seguida abriu o portão. Elevador. Porra. Elevador. Eu tinha um certo fetiche com elevadores e você vai concordar comigo que ficar em um elevador sozinho com essa perfeição em pessoa sem fazer absolutamente nada não era para qualquer um. E eu consegui. E eu me achei foda por isso. Mas assim que eu abri a porta, ela entrou e olhou para mim com a cara mais tímida, meiga e safada do mundo, eu não resisti.
- Posso te beijar? - perguntei ciente que faria muito esforço para esperar a resposta. Mas ela, como sempre, me surpreendeu e, ao envés de responder, deu um passo em minha direção e me beijou.”
— Eduardo e Brenda, Olivia Dias
Sempre acordei no mesmo horário, todos os dias. O despertador toca 06:20 a.m. e eu levanto às 06:29 a.m.. Tomo meu banho, pego a primeira roupa que vejo no guarda roupa e saio para tomar café da manhã na padaria da esquina. Odeio café da manhã, só vou até lá porque a menina que trabalha no caixa é a mais gostosa do bairro. Ando 300 metros até o ponto de ônibus e costumo esperar uns 5 minutos até o ônibus chegar. O ônibus não vai cheio nem vazio, sei lá, sempre tem lugar para eu ir sentado. Chego no trabalho perto das 07:37 a.m., ‘7 minutos atrasado’, é o que minha chefe sempre fala. Mas se eu fosse chegar no horário certo, teria que acordar no mínimo uns 15 minutos mais cedo, a padaria estaria fechada, o que significa que eu não poderia ver a gostosa e o ônibus estaria lotado. Óbvio que eu opto por ouvir todos os dias que estou 7 minutos atrasado. Faço o que tenho que fazer o mais rápido possível e depois fico o resto da manhã jogando paciência no computador. Dei sorte de pegar esse emprego de meio período. Volto na padaria para ver se a gostosa ainda está ali, normalmente sim, mas não entro, aprecio apenas pelo lado de fora, olhando pelo vidro e volto para casa. Como o que tiver na geladeira, durmo, acordo, vejo televisão, tomo outro banho, vejo mais televisão, como e vou dormir de novo. Aí tudo recomeça.
Despertador tocou 06:20 a.m., acordei 06:29 a.m., tomei meu banho, peguei a primeira roupa, fui até a gostosa da padaria, caminhei até o ponto de ônibus, esperei 5 minutos… Tudo como sempre, tudo normal. Exceto a ruiva sentada do lado da janela na terceira fila no ônibus. Ela olhou para mim e sorriu. Mas ela não sorriu com o lábio, ela sorriu com os olhos. Porra. Porra, porra, porra. Por quê? Ok, continua a rotina normalmente, ela é só uma estranha que apareceu no ônibus hoje. Mas não tinha como continuar a rotina normalmente. Primeiro porque aquele cabelo cor de céu de outono no pôr-do-sol estava chamando muito a minha atenção, segundo porque o ônibus estava lotado, terceiro porque o único lugar vago era ao lado dela. Sentei e achei um ponto fixo, olhando para frente. Comecei a ler o anúncio, que eu já sabia de cor, colado perto do motorista. Quando eu estava lendo pela trigésima terceira vez, ela me pediu licença. Que voz linda, puta que pariu. Doce, sabe? Suave, calma. PORRA, POR QUE EU ESTAVA REPARANDO NA VOZ DA MENINA? Fazia tempo que isso não acontecia. E isso não era um bom sinal. ‘Licença’ ela repetiu. Me dei conta que eu também tinha que descer no próximo ponto. Pedi desculpa, deixei ela passar e levantei logo atrás para descer também. Se a caixa da padaria era gostosa, a menina do cabelo cor de céu de outono no pôr-do-sol era gostosa pra caralho. Pra caralho. Não pude evitar, precisei ver para onde ela ia. Felizmente ela foi na mesma direção que eu precisava ir. Ela passou reto pelo lugar que eu deveria ter entrado, continuou mais uns 200 metros e entrou na farmácia. Por isso que ela estava toda de branco. Explicado. Legal, ela trabalhava perto de mim. Isso significa que nós nos encontraríamos todos os dias no ônibus, se ela fosse para o trabalho de ônibus que nem eu. Por um segundo desejei que sim, depois me perguntei o que eu estava fazendo, dei meia volta e fui em direção ao trabalho. ‘Doze minutos atrasado’ foi o que eu ouvi dessa vez.
Juro que eu tentei fazer as coisas rápido como sempre, mas essa menina não saia dos meus pensamentos. Eu começava a fazer uma coisa e quando eu me dava conta, já tinha parado de fazer a coisa para pensar nela. PORRA, O QUE ESTAVA ACONTECENDO COMIGO? Não tive tempo de jogar paciência. Saí do trabalho irritado, esqueci de ir na padaria checar se a gostosa (agora nem mais tão gostosa assim) ainda estava lá, não almocei, tentei dormir mas também não deu certo porque eu estava ansioso, querendo que chegasse o dia seguinte para poder rever aquele sorriso com os olhos da menina do cabelo cor de céu de outono no pôr-do-sol. Liguei a televisão para tentar espairecer um pouco e deu certo, peguei no sono.
Acordei às 5 da manhã com o cara do filme berrando e com uma puta dor nas costas porque eu tinha dormido no sofá.
Como eu tinha certeza que eu não dormiria novamente e, se eu dormisse, não acordaria em uma hora e meia, resolvi tomar banho. Demorei mais tempo que o normal, e não foi porque eu estava uma hora adiantado. Não peguei a primeira roupa do guarda roupa, escolhi uma como se eu fosse para algum evento importante. Mas na minha cabeça, eu ia mesmo, encontrar a ruiva sentada do lado da janela na terceira fila no ônibus. Passei até perfume. 06:33 a.m. eu já estava pronto e não sabia mais o que fazer. Não podia sair mais cedo porque senão eu não ia pegar o mesmo ônibus que ela, não ia na padaria porque eu não tinha mais motivo para tomar café da manhã, mas eu não aguentava mais ficar em casa. Saí. Fui bem devagar, contei os passos da minha casa até o ponto. Exatos 729 passos. Sentei no ponto e esperei mais do que 5 minutos. Esperei eternos 19 minutos até que finalmente o ônibus chegou.
‘Tomara que ela esteja lá, tomara que ela esteja lá, tomara que ela esteja lá’ pensei ao subir os degraus. ELA ESTAVA LÁ!!!!!!!! Acho que eu até sorri para o motorista e dei bom dia ao cobrador. O banco ao lado dela estava vazio e, óbvio, não pensei duas vezes e fui até lá. A última vez que eu tinha ficado afim de alguém tinha sido na sétima série, eu não lembrava mais como fazia essas coisas, como chegava em uma menina, se tinha que ser meigo (coisa que eu não sabia fazer) ou se tinha que chegar chegando. PORRA. Eu não fazia a mínima ideia. Não deu tempo de chegar em uma conclusão, o ponto tinha chegado. Descemos, parei no trabalho e ela continuou até a farmácia.
Foi a semana inteira assim, eu não parando de pensar nela, o dia passando devagar, eu querendo chegar nela de algum jeito e não sabendo qual, ela sorrindo com os olhos todos os dias, eu observando ela caminhar até a farmácia para depois entrar no meu trabalho, eu sorrindo para desconhecidos, escolhendo minha roupa, demorando no banho, passando perfume, não indo mais até a padaria, vendo coisas românticas na televisão.
O final de semana foi insuportável. Acordei no horário do trabalho desejando que o fato de eu não poder vê-la hoje fosse um sonho, ou melhor, um pesadelo. Mas não, era sábado mesmo. Saí para caminhar, fiz o trajeto do ônibus para ver se eu a encontrava em algum lugar, mas nada. Sei lá porque eu pensei que isso seria possível, mas enfim. Passei na locadora e peguei uma quantidade de filmes suficiente para que meu sábado e meu domingo ficassem lotados e eu não tivesse tempo de pensar nela. Operação sem sucesso.
Finalmente chegou segunda-feira. Pulei da cama. Acordei sem despertador, inclusive. Tomei banho, coloquei a roupa, passei perfume e fui até o ponto. Meu coração começou a bater mais forte quando o ônibus estava se aproximando. PORRA CORAÇÃO, NÃO FAZ ISSO COMIGO. Aí eu vi. Ela sentadinha, como sempre, na terceira fila do ônibus, do lado da janela e um espaço vago ao seu lado. Sentei. Pela terceira vez repassei toda a conversa que eu tinha planejado ao longo do final de semana, respirei fundo e arrisquei:
- Oi, meu nome é Eduardo - tenho certeza que minhas bochechas ficaram mais vermelhas que o cabelo cor de céu de outono no pôr-do-sol dela.
- Oi, meu nome é Brenda - e ela sorriu. Mas dessa vez, não apenas com os olhos. Eu não sabia nada sobre as mulheres, mas achei isso um bom sinal.”
— Eduardo e Brenda, Olivia Dias
“De todas as vezes que eu te mandei embora, se uma ou duas foram de verdade, é muito. De todas as brigas, não consegui ficar brava contigo em nenhuma sequer. Eu sei, eu sei de todos os meus defeitos, desse meu jeito todo errado de ser, dos meus ciúmes bobos, das implicâncias por nada, das crises idiotas, dos dias de tpm… Já tentei gostar de outros sorrisos, de outros abraços, mas são os teus que insistem em me fazer feliz. Não tem um dia que eu não lembre de você e de algo que fizemos juntos. Aquele dia na praia ou então a noite no cinema, lembra? O dia que você chegou tarde em casa e eu te coloquei para dormir no sofá da sala, o dia que você tentou cozinhar mas queimou toda a comida. Se é que aquilo pode ser chamado de comida. Do dia que eu conheci a tua família, quando você riu da minha cara porque eu estava morrendo de vergonha. Do dia que eu me vinguei e te apresentei meu pai. Das noites mal dormidas por causa de uma briga idiota, das 3 horas seguidas no telefone, das sms de bom dia. O dia da estreia do seu filme preferido que nós assistimos juntos, mesmo eu odiando aquela atriz, das vezes que você me aguentou falando que fulano de tal era lindo. Do dia que nós brigamos feio e você decidiu ir embora, assim, de repente, me pegando totalmente de surpresa. Quando você falou que dar um tempo seria a melhor solução, quando eu, com raiva, falei o que não devia. Quando você decidiu me deixar sossegada já que viver contigo era um inferno. Mas pode ter certeza, eu trocaria esse sossego eterno para viver naquele mesmo inferno que foi meu verdadeiro paraíso.
— Eu sei que eu sou idiota, mas volta para mim. Olivia Dias
“Maldita noite que eu resolvi sair. Maldito bar que abriu a 3 quadras da minha casa. Maldita voz “me vê uma latinha da cerveja mais gelada” que me encantou no primeiro pedido de bebida ao garçom. E olha que eu odeio cerveja. Se você ia me deixar no final da noite, por que sentou ao meu lado? Conversa vai, conversa vem e, eu, ingênua, achei que você estava me curtindo. Principalmente quando me deu o primeiro beijo. Depois o segundo, terceiro e assim foi. Quando sorriu para mim e disse que eu estava bonita, quando elogiou minha roupa. Não acredito em amor à primeira vista, mas eu apostei comigo mesma que você seria capaz de me conquistar. Erradamente, enquanto você me beijava, te imaginei na minha cama, te imaginei na minha casa, te imaginei como meu. Tenho que parar de fazer essas coisas, porque você, como todos os outros, acabou me deixando. Só que dessa vez, fiquei com várias latinhas de cerveja para pagar.”
“- Posso me sentar ao seu lado?
Fique à vontade.
- Quer um chiclete?
Não, obrigada.
- Por que você não olha para mim quando eu falo?
Por que eu deveria?
(silêncio)
- Você está chorando?
Não.
(silêncio)
- Está sim.
Você pode por favor me deixar em paz?
- Você é linda.
(silêncio)
- As coisas passam, para de chorar, por favor.
Não passam.
- Passam sim.
Você já caiu?
- Óbvio que já.
Se machucou?
- Sim.
Então, mesmo passando, sempre fica uma cicatriz, não?”
“Odeio quando eu sei que tem algo errado e, também sei que você não vai me contar o que houve. Odeio despedidas, odeio teu cabelo penteado, odeio você com outras meninas. Odeio sua mania de deixar a toalha em cima da cama, odeio quando você está com o cheiro de outra pessoa. Odeio quando você me deixa, mesmo que por pouco tempo, para falar algo com seus amigos. Odeio aquela menina que não larga do teu pé. Odeio acordar de manhã e ver um espaço vazio ao meu lado. Odeio os dias sem você, principalmente os frios. Odeio quando você me chama de baixinha, odeio quando você reclama de mim, odeio a cara que você faz quando sabe que está certo e eu, errada. Odeio, odeio, odeio. Odeio te amar tanto assim, a cada dia mais, odeio ser tão dependente de você. Odeio quando você tenta fazer miojo e acaba queimando tudo. Odeio quando eu penso em fazer uma coisa e você decide fazer outra. Odeio quando você fica falando com a minha irmã e esquece que eu existo, odeio quando eu quero falar contigo e você não quer falar comigo. Odeio quando você fala que me ama mais, porque eu que amo. Odeio quando você ri das minhas besteiras, odeio quando você me lembra que eu sou desastrada e desajeitada. Mas te odeio mais do que tudo por não conseguir fazer com que eu te odeie mesmo assim.”
“Você disse que não ia me deixar e acabou virando as costas. Você fez promessas que não foram cumpridas, contou mentiras e plantou expectativas nunca colhidas. Você teve a coragem de olhar nos meus olhos e dizer que me amava sem sequer saber o que é amor. Você disse que eu era a mulher da sua vida mas se esqueceu e falou a mesma coisa para todas as outras. Você me enganou inúmeras vezes e exigiu meu perdão em cada uma delas. Você pediu segundas chances quando na verdade seriam terceiras, quartas, quintas… Você não admitiu nenhum erro meu, então me diz, por que eu tenho que aceitar os teus mais uma vez? Só para você achar que tem, novamente, com quem repeti-los? 
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3 anos e quase 5 meses. 3 anos e 5 meses vivendo sem você. 3 anos e 5 meses lembrando que você morreu bem na minha frente. 3 anos e 5 meses me sentindo culpada por não te ajudar. 3 anos e 5 meses com raiva da merda de muro que caiu sobre a sua cabeça.

3 anos e 5 meses vivendo as mesmas lembranças de sempre, desde os nossos 5 anos, quando nos conhecemos, até o dia 19 de novembro de 2008, quando sua missão aqui já estava completa e você foi para um lugar melhor. Mas eu sinto sua falta todos os dias, e desculpa o egoísmo, mas você meu. Somente meu. Estando aqui ou não, será meu para toda a eternidade. Por quê? Por que você tinha que ir e me deixar aqui? Por quê? Por que você não volta? Lembro das festinhas que você fazia na sua casa, lembro da minha felicidade quando meus pais ficavam conversando com os teus e eu podia ficar mais um tempinho com você. E o melhor, era apenas nós dois. Quando toda a festa já havia ido embora e eu podia ter um momento de total atenção tua. Lembro do caderninho que eu tinha e ficava escrevendo coisas que iam acontecer com a gente, no futuro. Lembro dos trabalhos que eu fazia em grupo com você. Lembro da minha vergonha, da minha timidez, quando falavam que nós formávamos um belo casal. Lembro da nossa ingenuidade infantil, lembro da primeira vez que eu planejei nosso primeiro beijo. Que nunca aconteceu. Lembro da minha raiva quando aquela filha da puta ficou com você, bem no dia do meu aniversário, quando eu planejei a festinha do pijama para você ficar comigo, e não com ela. Lembro de todos os jeitos que eu tentei chamar a tua atenção, que eu tentei te dizer o quanto eu te amava, as letras das músicas, as indiretas, tantas coisas… Mas você nunca percebeu. E as brincadeiras de verdade ou consequência? Quando eu sempre ficava desejando, com todas as minhas forças, que caísse eu com você? Queijo ou manteiga? Nossas piadinhas internas, nossos sorrisos, nossos ciúmes, nossas besteiras, nossas coisas. Eu me sentia tão foda por ter você, mas na verdade, eu nunca tive por completo. Sempre teve algo que te impediu de chegar tão perto de mim assim. E eu, nunca saberei o motivo. Me desculpa por ser idiota às vezes quase sempre, me desculpa por te querer tanto só para mim, me desculpa por qualquer coisa. Não tem um dia que eu não pense em você, não tem um dia que eu não olhe para o céu procurando a estrela mais brilhante para saber onde você está. Não tem um dia que eu não sinta falta do teu abraço, do teu sorriso e do jeito que você olhava para mim. E você, que foi meu primeiro amor, meu melhor amigo, meu tudo, agora é meu anjo. Eu sei que, independente do que acontecer, você está comigo. Where is the love, uma de suas músicas preferidas, lembra? Lembra do cd que você me deu deles? Eu nem gostava muito, mas, óbvio, comecei a gostar porque veio de você. Where is the love? O meu esteve, e sempre estará, onde você estiver.

Eu sinto saudade. Todos os dias. Cuida de mim, por favor.

Olivia Dias

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