“Pode parecer clichê, ridículo e idiota, mas eu deixei tudo por você e você me deixou aqui. Na verdade, parecer mesmo, apenas pareceu ser clichê, porque ridículo e idiota realmente foi. Mudei meu horário de acordar porque você não gostava do despertador tocando quinze minutos antes, porque você nunca simpatizou com a função soneca. Parei de tomar café porque você gostava de comer no meio da manhã, não no início. Lanchinho da manhã, hoje fico pensando o quão ridícula e estranha soa essa maldita palavra que eu ouvia todos os dias. Deixei de usar shorts, saias e roupas mais coladas porque você não gostava que outros homens prestassem atenção em mim, o que, para ser bem sincera, nunca entendi o por quê, já que nem você prestava mesmo. Minhas comidas favoritas, deixei de comer. Comecei a gostar de tudo o que você gosta só para te agradar. Meu perfume preferido, aquele cheiro que todo mundo sabia que era meu, troquei. Troquei porque você queria que eu usasse a colônia doce que ganhei de presente. Eu sempre odiei perfumes doces, com todas as minhas forças, eu não suportava cheiros adocicados. Parei de comer meu brigadeiro nos finais de semana porque você não me queria gordinha. Mudei meus horários de aula porque de noite eu precisava estar à tua disposição. Outra coisa que nunca fez muito sentido. De sete noites na semana, apenas três das tuas eram passadas comigo. Mas eu gostava, e eu ficava esperando as terças, quartas e sábados porque eram as minhas. Na minha ingenuidade de boba apaixonada, acreditava que você ficava até mais tarde no trabalho por causa de um compromisso extra. “Hoje eu tenho reunião até mais tarde” - tenho até nojo de repetir essas palavras. Tenho nojo de você. De tudo o que eu fiz e deixei de fazer por tua causa. De todas as coisas que eu abri mão porque você não gostava, de tudo o que eu aprendi a fazer ou gostar, só para acreditar na tua falsa felicidade. De mim? De mim tenho raiva por não perceber, desde o princípio, que aquele “oi linda, posso te pagar uma bebida?” era mais um era uma vez que não acabava com e eles viveram felizes para sempre. 
— Eu deixei tudo por você e você me deixou aqui, Olivia Dias
“E pela primeira vez, não doeu deixar você ir. A pausa foi longa, você encostou na soleira da porta e disse “adeus”. Foi quase um sussurro surdo, foi um aceno imóvel com os lábios, a cabeça e a mão. E eu apenas acenei, exatamente como um “até mais”. É, até mais. Até mais tarde, até depois. Depois de uns dias, uns meses, uns anos, depois de um tempo, depois da vida. Sei lá, até depois. Até quando você crescer. Até qualquer dia, qualquer hora. Não doeu te ver virar as costas, bater a porta. Não doeu. Eu apenas me virei e voltei a olhar a distância da lua pela janela. A quantidade de passos que eu teria que dar dali até a lanchonete mais próxima. Eu estava faminta. E pela primeira vez, não de você. Não do seu cheiro, do seu gosto, do seu ego, do seu beijo, da sua carícia ou da sua carência, muito menos da sua incoerência ou indecisão. Eu estava faminta de fome, meu estômago vazio quase me motivou a sair dali e andar pela garoa da noite fria. Mas eu nem queria o frio, eu nem queria você por perto pra me aquecer. Eu não queria. Não mais. Eu não fazia nem questão de pensar em você, porque pensar em você cansa e enjoa, e me faz ver o quanto foi útil o tempo que eu perdi te pedindo para ficar. Agora vai mesmo. Sou eu que não te quer mais aqui. Vai e leva sua bagagem, seus pertences, sua cabeça vazia, seu cheiro de marmanjo de esquina, seu ego extra, sua boca suave e seu jeito fraco e insensível. Você só me motiva a ver o ruim da vida e eu cansei de ver tudo pelo lado ruim. De ruim já basta você. Vai e me deixa aqui sem você, porque a vida sem você é mais clara, mais óbvia, mais viva. A vida sem você é um passo ao paraíso e é justamente o passo que você atrasa. Eu cansei das suas neuroses, do seu medo, da sua falta de fé. Da sua coragem excessiva para as coisas ruins da vida e de ser só uma segunda opção. Cansei de carregar o peso da sua confusão nas costas e ainda sim sentir que estou incomodando você a entrar no quarto da primeira loira mesquinha que você encontrar na rua. Entra no quarto, na vida… e onde você quiser. Entra e se quiser eu até abro a porta. Abro a porta do quarto dela pra você entrar e a porta minha vida pra você sair. Porque a única coisa que eu quero de você agora, é que esse adeus tenha sido de verdade. Não como aqueles que você deu numa mensagem no celular ou depois de passar a noite comigo e querer dar uma volta na praça pra tragar mais um cigarro. E não volta, porque eu sou bem melhor sem você aqui. Não volta porque “até mais” foi quase um “tarde demais para você”.”
Rafaela Marques
“Ela é toda errada.
Toda ciumenta.
Toda atrapalhada.
Tem lá seus mil dramas.
Mas é com ela que me sinto bem.
É do cafuné dela que eu gosto.
É no sorriso torto dela que eu me apaixono.
É ela.”
— É ela - Meus Devaneios
- Oi, meu nome é Eduardo - tenho certeza que minhas bochechas ficaram mais vermelhas que o cabelo cor de céu de outono no pôr-do-sol dela.
- Oi, meu nome é Brenda - e ela sorriu. Mas dessa vez, não apenas com os olhos. Eu não sabia nada sobre as mulheres, mas achei isso um bom sinal.
Quando ela começou a juntar os lábios para pronunciar meu, logo depois do oi, meu coração já tinha experimentado bater do jeito mais rápido possível, voltar para o lento, parar e acelerar novamente. Isso não aconteceu nem na sétima série quando a menina que eu gostava me deu um beijo na bochecha durante o jogo de verdade ou consequência. E porra, tinha sido um beijo. E eu gostava dela. Hoje foi só um oi e eu nem sabia o que eu sentia por essa menina do cabelo cor de céu de outono no pôr-do-sol. Mas que eu sentia alguma coisa, isso eu já estava começando a aceitar, porque não era possível.
- Oi - repeti, sem saber o que falar, mas lembrando de respirar dessa vez.
- Achei que você nunca ia falar comigo - ela deu um sorrisinho tímido.
Sério? Sério que ela estava tirando com a minha cara? Já tinham feito isso antes. Se fosse qualquer outra mulher eu inventaria uma desculpinha, o orgulho falaria mais alto e eu encerraria a conversa ali mesmo. Mas com ela era diferente, eu ficava pensando em o que falar, em assuntos que ela fosse achar interessante (mas oi, eu nem sabia do que ela gostava). E o jeito que ela olhou pra mim e depois desviou o olhar, tímida, sei lá, deu um negócio aqui dentro.
- Eu também achei - falei, com cara de idiota.
Aí nós ficamos lá, em silêncio, apenas nos olhando, desviando olhares e dando sorrisinhos bobos, até chegar no ponto. Ela seguiu para a farmácia, eu esperei ela entrar e entrei no meu trabalho. Nem notei se a chefe havia reclamado dos minutos de atraso. Para falar a verdade, não prestei atenção em nada hoje, nadinha mesmo. A única coisa que passava pela minha cabeça era o quão idiota eu havia sido hoje pela manhã e por qual motivo ela havia sorrido para mim. Duas coisas que eu ainda ia descobrir. Duas coisas que eu precisava saber o motivo. A primeira porque isso não era normal, esse tipo de coisa não acontecia comigo, de ser idiota na frente de mulheres, eu sempre conseguia. A segunda porque sei lá, ela era incrível e, mulheres como ela não falavam com caras como eu. 
Terça, quarta e quinta foram assim. Essas conversinhas idiotas que, não sei para ela, mas para mim resultavam em horas pensando, insônias, sonhos, vontades… Até que quinta à noite tomei a decisão de chamá-la para sair na sexta. 
- Oi - comecei, já tudo completamente errado do que eu havia passado a noite toda e uma parte da manhã planejando.
- Como você está? - ela meiga como sempre.
- Bem - respondi e fiquei olhando para ela. Aqueles olhos me prendiam demais. E aquele cabelo cor de céu de outono no pôr-do-sol fazia com que ela, sentada do lado da janela na terceira fila no ônibus, ficasse mais perfeita ainda. Quando me dei conta que ela esperava um ‘e você?’, voltei para a realidade e perguntei - e você?
- Bem também - e novamente aquele sorriso. Porra. PORRA. Calma Eduardo, respira, vai.
- Vai fazer alguma coisa hoje à noite? - falei tão rápido que nem sei como ela entendeu.
- Não tenho nada programado, tem alguma coisa para me sugerir? - ainda bem que ela colaborou, porque tava difícil de continuar.
- Ahm… - aí eu lembrei que tinha planejado tudo, que iria a convidar para sair sexta à noite e tudo mais, imaginado os diálogos, mas tinha esquecido de pensar em ONDE levá-la. Boa Eduardo, muito boa.
- Tem um restaurante que abriu perto da minha casa, eu estava pensando em ir, se quiser me acompanhar, será bem vindo.
Além de ser incrível, linda, gostosa, perfeita e outros adjetivos que se eu fosse descrever, não acabaria nunca mais, ela sabia exatamente quando falar e o que falar. Por favor, casa comigo, Brenda. 
- Ah, claro. Ótimo, perfeito. Excelente - acho que eu exagerei, mas deve ter dado certo, porque ela riu quando eu abri a boca para falar ‘magnífico’.
- Combinado então, estarei lá às 19:00 p.m., Bistrô Varanda - ela falou assim que descemos do ônibus, antes de continuar seu caminho.
Fiquei o trabalho inteiro pensando em que roupa colocar mas não cheguei em conclusão nenhuma. Enfim, almocei, vi televisão, comi de novo, tomei banho, parei na frente do meu guarda roupa e tentei escolher algo para vestir. Peguei a calça jeans preta e a camisa cinza nova que eu havia ganhado semana passada. É, acho que fiquei bonito, ou menos feio, tanto fazia, acho que melhor não dava. Passei perfume e fui até o local combinado. Cheguei 18:57 p.m. e ela ainda não estava lá. Exatamente às 19:00 p.m., olhei para o lado esquerdo e a vi. Puta que pariu. O cabelo cor de céu de outono no pôr-do-sol ficava incrível até de noite, sem a luz do sol. E a silhueta dela estava perfeita, porque ela vinha na contra luz. Gostosa. Gostosa demais. 
- Estou atrasada? - mesmo se ela estivesse, qualquer garoto esqueceria alguns minutos de espera depois de vê-la.
Fiz não com a cabeça e entramos no restaurante. A comida era muito boa, mas a conversa com ela foi melhor ainda. Ela estava morando aqui há três meses, então tive que fazer a clássica proposta ‘se você quiser, te apresento a cidade’. Ela riu, mas não respondeu. Outra coisa que era típica dela, me deixar curioso, ser difícil, tímida e misteriosa. Mas eu gostava disso. Na verdade, eu gostava muito disso. 
- Quer continuar a conversa lá em casa? - perguntei, após pagar a conta, não pensando apenas em conversar. 
Ela hesitou, olhou para o relógio, olhou para mim com uma cara de ‘você não quer apenas conversar’, deu um sorrisinho e finalmente falou: - Acho que tudo bem.
Assim que cheguei na frente do prédio o porteiro me olhou com uma cara de safado. Qual é? Só porque eu não levava mulheres pra casa sempre? Qual foi? Acenei para ele, que logo em seguida abriu o portão. Elevador. Porra. Elevador. Eu tinha um certo fetiche com elevadores e você vai concordar comigo que ficar em um elevador sozinho com essa perfeição em pessoa sem fazer absolutamente nada não era para qualquer um. E eu consegui. E eu me achei foda por isso. Mas assim que eu abri a porta, ela entrou e olhou para mim com a cara mais tímida, meiga e safada do mundo, eu não resisti.
- Posso te beijar? - perguntei ciente que faria muito esforço para esperar a resposta. Mas ela, como sempre, me surpreendeu e, ao envés de responder, deu um passo em minha direção e me beijou.”
— Eduardo e Brenda, Olivia Dias
“—Chupa meu pau.
Você é muito grosso
Desculpa, eu te amo.
Não precisa pedir desculpa, eu te amo mais.
Me beija?
Te beijo.
Me abraça?
Te abraço.
Me ama?
Te amo.
Me chupa?
Mô…
Vai que dava certo.
“O táxi estará te esperando às duas. Não se atrase. Arrume as suas malas, coloque-as em ordem e deixe aqui para quando o taxista chegar, ele pegar. Antes de tudo, antes que se vá, se despeça de mim. Dê-me aquele último beijo, aquele abraço para se sentir mesmo após dez anos e tampouco aquele sorriso para se lembrar todas as noites antes de se entregar ao sono profundo. Se despeça de mim, meu amor. A chuva, aposto, que atrasará o seu táxi e você poderá ficar ao menos cinco minutos a mais comigo. Trafegar com chuva não será coisa fácil. Isso não vem ao caso. E se não te lembrasse de que eu estava aqui, do seu lado, você iria embora sem, ao menos, dar aquela olhadinha para trás, apenas para ver se eu estaria olhando para você? Lágrimas escorrerão sobre minhas bochechas, vermelhas e inchadas, por sua causa – por sua ida. Se despeça de mim e diga-me que eu, mesmo com todos os erros e mágoas, fui o melhor para você, que você nunca me esquecerá e que o nosso beijo ficará marcado para sempre, em todas as noites longes de mim. Meu amor tenha certeza de que isso faria do meu péssimo dia, um dos melhores. Olhe só, a chuva atenderá o meu pedido e comigo você, por cinco minutos, ficará. O táxi não chegará agora. Largue as suas malas ao chão e venha correndo para me abraçar bem forte, até perdermos o fôlego. Lasque-me aquele beijo molhado e ao final, diga-me que eu serei o pai dos seus filhos, que comigo ficará e o taxista, ignorará. Eu irei correr quilômetros de distância atrás desse táxi, caso você vá. Irei mesmo. Os cincos minutos se estouraram e nós ouviremos a buzina aguda do seu táxi. Se despeça de mim, minha flor. E se nós nunca mais vermo-nos? O nosso felizes-para-sempre ficará pela estrada, bem atrás do seu táxi? Se despeça de nós. E antes de ir, abra o seu vidro, mandando-me um beijo e dizendo que voltará. Por favor, amor.”
Lucas Guerrero, O táxi das duas e cinco.
Ele: Ontem eu te vi de mãos dadas com outro cara. Ele era.. da hora. Mas ele segurava nas suas mãos de maneira errada e ele te deixou andar do lado de fora da calçada. Olha, eu sei que terminei com você falando que queria curtir. E curti, curti muita fossa, muito choro e muita gente falando que eu era idiota. Eu podia ter feito você tão feliz. Eu deveria ter sujado sua boca com o sorvete, eu deveria ter pego você no colo e te jogado na areia da praia. Lembra quando você cortou o cabelo e eu não falei nada? Eu deveria ter falado que aquele corte te deixou mais linda, que quando o vento batia nos seus cabelos e você olhava para baixo eu tinha certeza de que queria ficar com você pra sempre. Eu não to mentindo, tentei por vezes criar coragem e vir até aqui. Me chama, vai, me chama de burro. Me chama de burro por não ter visto que seu sorriso era o mais lindo do mundo, por não ter visto a curva dos seus cílios quase tocando nas suas sobrancelhas. Me bate, vai. Me bate por ter feito você chorar. Vai, me bate. Por favor. Me faz lembrar que você adorava chocolate branco e eu só te comprava preto. Briga comigo por eu nunca ter usado a camiseta que você me deu, briga. Eu deveria ter segurado sua mão com força. Eu deveria ter beijado sua testa enquanto podia. Eu deveria ter aberto a porta do carro pra você. Todas as tardes que eu joguei videogame, eu deveria ter deixado tudo de lado e ter ido te ver sorrir. Aquele seu vestido azul, você sempre usava porque combinava com a cor dos meus olhos não é? E eu nunca percebi. Eu nunca percebi o jeito que você mexia os dedos um de cada vez e que aquele nada, era você explodindo de ciúmes. Eu nunca deveria ter largado sua mão para segurar o copo de bebida, nunca. Eu não quero que me desculpe, eu não mereço. Eu só vim aqui ver se você tava com alguém porque eu quero dar um soco na cara dele. Ta vendo? Eu sendo ridículo de novo. Mas eu não consegui ver você segurar a mão de outro cara. Você apertou a mão dele igual apertava a minha? Mordeu a mão dele? Diz pra mim que você não montou nas costas dele e tampou os olhos, para brincar de cavalinho. Diz pra mim que ele ta te fazendo sorrir. Diz. Só me diz se ele te faz feliz. Olha, se você não me ama mais, tudo bem, pode pegar a vassoura e me expulsar da sua casa. Mas se você ainda lembra do dia que eu te joguei um travesseiro na cabeça, você me tacou o controle da tv porque mudei de canal, logo em seguida eu tirei nossas alianças do bolso, te pedi em namoro e você falou que não queria ser minha namorada e sim minha esposa, então por favor, se você lembra desse dia, se você lembra da sua blusa rosa suja de brigadeiro e seu bico de brava porque eu falei que a dançarina do Faustão era bonita, sorri pra mim, pela última vez, sorri pra mim. Eu juro que te esqueço, que não te pertubo mais e paro de mandar sms em todas as horas iguais, mas sorri pra mim. Deixa eu, pelo menos essa noite, dormir feliz por ter visto você sorrir. Eu vou embora… E me desculpe, eu não mereço nem seu sorriso.
Ela: Eu senti sua falta, mesmo você não merecendo nem minha raiva.”
Caio (s-cuffle)
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